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03/10/17 15:51

EducarMais: Tecnologia para quê? Um retrato do cenário escolar brasileiro

Em tempos digitais, enxergar a tecnologia como aliada, e não como vilã, é o ponto de partida para uma nova educação.

Os grandes avanços tecnológicos vivenciados nos primeiros anos do século XXI mudaram a forma como as pessoas vivem, se comportam e se relacionam. O aumento da velocidade com que as informações são transmitidas e a facilidade em acessá-las através de um smartphone, por exemplo, promoveram o que se entende por democratização do conhecimento, no qual o papel de emissor ou receptor está ao alcance de qualquer um. Nesta Era da Informação, a ressignificação de práticas sociais e a mudança de mentalidade das pessoas são as principais marcas.

Fechar os olhos para o óbvio e fingir que escola é um ambiente isolado e alheio ao que se passa além de seus muros pode representar o mesmo que andar em círculos. Por isso tem se tornado cada vez mais comum encontrar instituições que abraçam a causa da tecnologia: equipam suas salas de aula com as mais avançadas e variadas ferramentas, comprometem boa parte de seus orçamentos com altíssimos investimentos e estampam outdoors espalhados por suas cidades com o anúncio do que aparenta ser a mais nova salvação para a educação. É preciso ter calma. Educação se faz com equilíbrio, planejamento e um consistente projeto pedagógico. Nesse caso não poderia ser diferente.

Vejamos, pautados em números, como a tecnologia tem sido trabalhada nas escolas brasileiras. A TIC Educação 2015, pesquisa desenvolvida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (CETIC), envolveu 898 escolas de todo o país, dentre instituições públicas e privadas de Ensino Fundamental e Médio, 1.631 professores e 9.213 alunos. Seus resultados, divulgados no segundo semestre de 2016, apresentaram números curiosos acerca do cenário discutido e devem balizar nossa análise.

Em geral, nossas escolas se encontram bem conectadas à internet: 100% das instituições particulares situadas em áreas urbanas possuem acesso à rede, enquanto o mesmo ocorre em 93% das escolas públicas. O que precisa ser discutido é a quem se destina tal serviço. Os números sofrem redução quando apuramos o filtro e direcionamos a disponibilização para as salas de aula: 72% na rede privada e apenas 43% na pública.

O uso de internet no celular para atividades com alunos foi uma prática admitida por apenas 39% dos professores, sendo 46% de escolas privadas e 36% do meio público. O mais intrigante deste dado é que cerca de 52% de toda a população brasileira, mais de 110 milhões de pessoas, segundo o Digital in 2017 – South America, acessam a internet por meio de dispositivos móveis. O que significa ainda ser muito tímida a utilização de tal plataforma em ambientes educacionais.
 
Já quanto à realização de pelo menos uma atividade com discentes a partir do uso de computador e/ou internet, 73% dos docentes acenaram positivamente, sendo 84% da rede privada e 70% da pública. Indo além, é possível ainda identificar e mensurar os tipos de atividades desenvolvidas. Dentre as onze citadas, encabeçam a lista a realização de trabalhos sobre temas específicos (59%), a solicitação de trabalhos em grupo (54%) e a ministração de aulas expositivas (52%).

Ofertar a infraestrutura necessária para modernizar uma escola tem seu valor, todavia esta se esvaziará se for tida como estratégia solitária neste processo. Equipamentos como data show, tablet, computador e lousa digital não passam de adornos se subutilizados como meios de apresentar uma informação, meros reprodutores de conteúdo. O professor precisa ter finalidade e objetivo pedagógico permeando a sua proposta para a sala de aula.

Superada a fase do espelhamento, de apresentar as informações, o desafio agora é diferente. Frente à necessidade de acessar a informação ou de criá-la, passa a ser desenhado o caminho para a implementação e o uso da tecnologia. O desenvolvimento de plataformas de aprendizagem adaptativa, de canais de videoaulas on-line e à análise individualizada de resultados colhidos em avaliações tem dado um ar de personalização que o processo de ensino-aprendizagem tanto carece e demanda. Por mais que nem todas as ferramentas supracitadas sejam inéditas, o uso da tecnologia reduz o trabalho manual ao automatizá-lo e oferece a professores e gestores um olhar mais assertivo acerca de seus papéis e práticas.

Ainda fazemos pouquíssimo uso da tecnologia dentro do ambiente escolar brasileiro, principalmente se levarmos em conta seu papel analítico e o quanto ela está incorporada em nossas vidas. Estima-se que gastemos, em média, 8h56min conectados por dia, sendo 3h43min em redes sociais. Quer seja pela falta de uma estrutura minimamente necessária, pela ausência de incentivo, pela capacitação de profissionais ou por mera resistência ao novo e medo da mudança, a questão é que precisamos otimizar o uso das ferramentas disponíveis. Não se trata de modismo; isso vai além. A Base Nacional Comum Curricular da Educação Infantil e do Ensino Fundamental trata do uso das tecnologias digitais como sendo uma de suas seis competências gerais. Portanto, deve-se urgente renovar, a cada dia, as estratégias na busca por tornar a aprendizagem do aluno mais significativa e, assim, gerar maior engajamento.

Fonte: Revista EducarMais