NOTÍCIAS

Notícias

13/05/16 12:20

EducarMais: Sem pressa para aprender – as contribuições da Neuroeducação para o desenvolvimento cognitivo

Mesmo estando inseridas em um mundo acelerado, as crianças precisam do tempo que for necessário para desenvolver suas habilidades. Não fazer isso significa prejudicá-las.

Segundo Vygotsky, a aprendizagem está relacionada ao desenvolvimento, e o ser humano cresce em um ambiente social onde a interação com outras pessoas é essencial. Diante desse contexto, a aprendizagem tende a ser pressionada, havendo necessidade de ser célere. E agora?

Família e escola precisam de cautela ao olhar para o desenvolvimento infantil. As crianças buscam naturalmente dar sentido ao seu mundo, mas carecem de mediação. Por esse motivo, cabe ao adulto desempenhar o papel de incentivador da curiosidade, da persistência e da atenção, proporcionando experiências que fortaleçam as iniciativas e coordenem a complexidade das informações. 

Queimar etapas e exigir que uma criança faça além do que sua faixa etária permite pode acarretar danos para além da vida escolar. Estudos na área da Neuroeducação indicam que os processos cognitivos elementares e básicos desenvolvem-se junto à biologia cerebral de células físicas, moléculas e sinais elétricos relacionados à maturação neurológica, ou seja, não nascemos prontos, aprendemos à medida que nosso corpo se desenvolve.

No livro Hare Brain, Tortoise Mind (Cérebro de Lebre, Mente de Tartaruga, em português), o autor Guy Claxton descreve três velocidades de pensamento: a resposta instintiva, que impede que você atropele um ciclista, por exemplo; a forma deliberada de pensamento, utilizada ao resolver um problema de matemática; e uma terceira velocidade em que se desenvolve lenta e inconscientemente uma compreensão mais profunda de uma experiência. Acelerar a aprendizagem da criança impede que ela tenha tempo necessário para formular cada tipo de raciocínio. 

O desenvolvimento deve remeter zelo e não ansiedade excessiva. Não entendamos o mais devagar como melhor, nem o mais rápido como pior. Precisamos, enquanto educadores, compreender as capacidades e as necessidades de cada faixa etária para explorarmos as melhores vivências na sala de aula, sem acelerar ou deixar faltar. Não devemos correr, mas não podemos subestimar os alunos, pois eles requerem respeito e apoio. Dessa forma, os resultados virão naturalmente, como consequência de um processo de aprendizagem bem consolidado.

O desenvolvimento entre 2 e 5 anos
Entre os 2 e os 5 anos, a criança apresenta algumas características que, em geral, são peculiares ao desenvolvimento nessa faixa etária. Observe:

De 2 a 3 anos: inicia-se o controle dos esfíncteres e a retirada da fralda; a criança imita diferentes sons que conhece, constrói frases simples, monta quebra-cabeças simples e grandes, participa de brincadeiras de colar, montar e desmontar, começa a desenhar figuras reconhecíveis e ainda apresenta característica egocêntrica.

De 4 a 5 anos: apresenta maior domínio dos movimentos finos, estrutura frases mais longas e completas, identifica e escreve letras e palavras e desenvolve a curiosidade a respeito das coisas, pessoas e animais, intensificando perguntas sobre o meio ambiente em que vive; também realiza movimentos mais complexos e passa a ter maior interesse pelas atividades compartilhadas.


Fonte: Revista EducarMais.