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04/08/17 11:43

EducarMais: Sala de aula é espaço para sentir raiva?

Todos nós estamos propensos a esse sentimento, inclusive nossos alunos. O que fazer? A solução para esse problema é bem mais simples do que se imagina.

Todos os seres vivos, principalmente os animais, sofrem influência de um fluxo constante de informações advindas do ambiente que os cerca e acabam exercendo ações de controle, integrando os diferentes órgãos sensoriais especializados para determinar as respostas a serem estabelecidas pelo corpo e organizar seu metabolismo.

A manutenção de um domínio interno funcionando harmonicamente depende de mecanismos bem elaborados de controle e coordenação de ações do organismo desenvolvidos pelo sistema nervoso por meio de funções sensitivas, integradoras, motoras e comunicativas. O sistema nervoso processa as informações geradas pelos cincos sentidos, além de sensações adicionais, como o frio, o calor, a euforia e a dor, promovendo respostas mentais que podem ser afetadas por alguns sentimentos negativos: ódio, aversão, furor, raiva e estresse. Essas sensações nocivas podem levar a variações na aprendizagem e no comportamento de qualquer pessoa, inclusive dos nossos alunos. Afinal, quem está mais bem preparado para aprender um conteúdo ou para socializar-se com os colegas: um aluno feliz ou um aluno raivoso?

Não incomum nas salas de aulas, a raiva é um desconforto psíquico que estimula ações desastrosas em graus variados; ela tanto afeta as funções orgânicas quanto compromete as emoções, julgamentos e escolhas adequadas. É durante esse estado de espírito que muitos alunos negam a si mesmo e ao seu próximo.

Todos os seres humanos já experimentaram as sutis graduações da raiva e do estresse. Entretanto, não podemos deixar de perceber que essas anomalias no nosso comportamento não envolvem apenas o sistema nervoso, mas todo o organismo, trazendo vários transtornos, desde respiratórios a cardiovasculares, endócrinos e imunológicos. Às vezes uma criança que entra em estado de raiva pode passar a respirar, mesmo que por alguns instantes, aceleradamente, sentir úlceras ou gastrite, sofrer arritmias, tonturas e até ter crises alérgicas. Cada um vai receber [e refutar] a raiva da forma como seu organismo estiver preparado.

A raiva e o estresse intensos em sala de aula minam o autocontrole, favorecendo respostas e atitudes hostis e agressivas, por isso precisamos desenvolver estratégias de autodomínio, não só para nós, professores, como para os nossos alunos, exercitando o hábito de olhar para os desconfortos com percepções mais pacíficas e harmoniosas, de placidez e mansidão. Mediar situações de conflitos enquanto as emoções se reequilibram é uma opção. Isso promove condições favoráveis ao reconhecimento da segurança do professor e o favorecimento posterior da aprendizagem do aluno. 

Biologicamente falando, os centros de recompensa e punição do hipotálamo, região do encéfalo dos mamíferos que, entre várias funções, rege o sistema nervoso bem como as emoções e os comportamentos, são controladores de motivações e impulsos. Assim, psicologicamente falando, em sala de aula, é importante compreender que, se atividades exercidas por nossos alunos parecem ser gratificantes para eles, devemos continuar incentivando-os. Dessa forma, o cérebro libera dopamina, substância que causa a sensação de satisfação, e isso contribui para a saúde e a inteligência de crianças e jovens. 

O cérebro sempre está bastante atento a respostas emocionais, como o júbilo, o regozijo, a ventura, que dependem de contrações do diafragma, acompanhadas de contrações igualmente involuntárias dos músculos faciais: o riso. Essa condição facilita a resolução de problemas, pois o bom humor exercita o cérebro, oferece a cardioproteção e potencializa as respostas imunes, o que indica que o “riso de paz” leva a um aumento da longevidade, enquanto o enfraquecimento de nossa aura vital gera patologias, ou seja, se rimos, ficamos bem; se deixarmos nos levar pelo estresse, adoecemos. O riso é, portanto, um modo universal de evitar conflitos e confrontos. É como diz aquele ditado: rir é o melhor remédio.


Fonte: Revista EducarMais.