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28/07/17 15:24

EducarMais: Repensando o ensino de Língua Portuguesa

O professor precisa fugir do tradicionalismo e buscar significações que mostrem as capacidades dos alunos.

Sentido. Este deve ser o ponto de partida para toda e qualquer prática educacional. O professor precisa construir um sentido para si, para sua prática docente. Apenas por este caminho, o ensino poderá proporcionar trajetórias e possibilidades satisfatórias aos alunos no que diz respeito à aprendizagem.

Os propósitos, os objetivos e as construções da forma de ser devem (ou deveriam) estar bem consolidados e aprofundados no Ensino Médio, e, em se tratando do ensino de Língua Portuguesa, torna-se inconcebível uma prática docente que não aja no/pelo/para o social, construindo sujeitos para o mundo. Prontos? Talvez. Mas certamente dispostos a aprender e ver criticamente o mundo à sua volta. Tal aprendizado e leitura são possíveis de serem efetivados por meio do sentido que damos à nossa língua, aquilo que nos é oferecido assim que nascemos, dando-nos uma forma de ser, de nos expressar, de nos entender enquanto indivíduos.

Se tomarmos como base a Língua Portuguesa, a partir das Orientações Curriculares para o Ensino Médio (2006), entenderemos a importância de construir sentidos em sala de aula, já que tudo se dá pelo processo, que não termina nesta fase, mas que, pelo contrário, deve ser consolidado, (re)aproveitado e aprofundado para que suas capacidades sejam desenvolvidas. 

Para isso, esta fase deve oferecer ao aluno a possibilidade de “(i) avançar em níveis mais complexos de estudos; (ii) integrar-se ao mundo do trabalho, com condições para prosseguir, com autonomia, no caminho de seu aprimoramento profissional; e (iii) atuar, de forma ética e responsável, na sociedade, tendo em vista as diferentes dimensões da prática social” (BRASIL/SEMTEC, 2006). Sendo assim, um ensino de Língua Portuguesa fora do contexto social fará com que o aluno continue sem perspectivas, sem a devida compreensão de sua participação na construção de sentidos para a sociedade.

O processo – no qual está em jogo a efetivação do ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa – dependerá das escolhas feitas pelo professor, da metodologia por ele utilizada, enfim, dos objetivos que foram traçados para a aula. O docente deve conscientizar-se de seu papel mediador e orientador dos usos e procedimentos adequados ao ensino da língua, que, no Ensino Médio, devem “propiciar ao aluno o refinamento de habilidades de leitura e de escrita, de fala e de escuta” (BRASIL/SEMTEC, 2006).

O aluno precisa ser motivado ao prazer da leitura para que a escrita seja uma consequência, também prazerosa, na sua vida diária. Os domínios da fala e da escrita necessitam ser sempre motivados pelo professor de Língua Portuguesa, que, como orientador, necessita estar atento aos materiais didáticos e usá-los da melhor forma possível, observando-os criticamente para que continuem sendo materiais de uso e não a sua única possibilidade metodológica no ensino. Há, portanto, a necessidade de diversificar as práticas metodológicas para um efetivo trabalho com a língua materna. 

A língua portuguesa é, portanto, um instrumento indispensável para a construção da autonomia dos indivíduos nas sociedades contemporâneas. No entanto, para isso, o seu ensino deve ceder espaço para as múltiplas linguagens e não se deter aos limites impostos pelo ensino tradicional.

Dessa forma, poderá abranger os conhecimentos provenientes de diversas outras mídias. Os textos com marcas de hibridismo e hipertextualidade veiculados na internet, na imprensa e nos filmes, por exemplo, são marcas legítimas dessas sociedades contemporâneas, que são caracterizadas pelo intenso fluxo de informações e pela velocidade na comunicação e na criação de novos elementos de interação linguístico-social.

O ensino de Língua Portuguesa representa um meio de aquisição dos conhecimentos necessários para os indivíduos que pertencem a essas novas sociedades. Somente portando esses conhecimentos é que os sujeitos em formação poderão ter mais segurança ao agirem sobre o meio do qual fazem parte e estarão mais bem preparados para seguirem rumos mais seguros em suas vidas, seja no âmbito pessoal, seja no âmbito acadêmico.


Fonte: Revista EducarMais.