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25/07/17 11:52

EducarMais: O que aprendemos na tempestade – para onde estamos indo?

A passividade não é uma opção para o gestor, ainda mais em tempos de turbulência. É preciso esperançar e buscar continuamente a reinvenção.

O ano de 2016 passsou e deixou no seu rastro a certeza de que o país está imerso em uma crise econômica. O crescimento vertiginoso da inflação, medido por meio do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que saltou de 6,41% em 2014 para 10,67% em 2015, refletiu uma acelerada redução do poder de compra do cidadão. Por mais que a inflação de 2016 tenha encerrado o ano em 6,29% e que as previsões do governo remetam para uma retomada do crescimento ainda em 2017, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima, atualmente, que os níveis de desemprego no país ascendam até 2018 e que tal condição atingirá cerca de 13,8 milhões de pessoas.

Em termos de educação, os números configuram-se mais palpáveis quando tirados do papel e trazidos para a realidade das escolas particulares. Segundo a Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen), cerca de 1 milhão de estudantes migraram para a rede pública em 2016.

Admitindo a força da crise instaurada, faz-se necessário citar dois pontos essencialmente distintos: o que nos trouxe até aqui e para onde estamos indo. Enquanto o primeiro apresenta-se carregado de influências externas e de variáveis macroeconômicas, o segundo trata da ação do gestor diante do cenário vivenciado. De forma mais profunda, esse aspecto refere-se ao porvir da instituição, que tende a ser vislumbrado e alcançado a partir da iniciativa deliberada do administrador. Se ao empreendedor não cabe a culpa pela crise, a ele recai a responsabilidade dos resultados colhidos enquanto a tormenta não passa.

Quando o mau tempo se forma em alto mar, quatro são os procedimentos comumente indicados por marinheiros experientes: saber para onde ir, fazer ajustes, evitar o centro da tempestade e agir antes que tudo piore. Mais importante que qualquer outra recomendação, a última aponta para a sensibilidade que move, o que nada mais é que uma reação ao novo, opondo-se diretamente à cautela que imobiliza e estagna. Mario Sergio Cortella costuma refletir acerca do verbo esperançar. Segundo o filósofo, mostra-se como de fundamental importância distingui-lo de esperar. O primeiro trata de buscar e não desistir, agir; já o segundo remete a apatia, inércia e desinteresse.

Para assumir o protagonismo do destino de sua organização e não se deixar guiar pela maré do mercado, cabe ao gestor ser mais curioso ao observar seu fluxo de caixa, por exemplo, buscando entender e não apenas ler os números. É reconhecida a importância de acompanhar seus recebimentos e impulsionar o aumento das receitas, mas, para além disto, percebe-se o valor de tornar o negócio sustentável por meio do controle de suas saídas e da otimização de seus processos internos. Sendo uma realidade própria deste setor de mercado, as despesas fixas das escolas costumam pouco flutuar e quase independem do tamanho de seu alunado. Dessa forma, torna-se ainda mais pontual rever algumas estratégias em tempos de retração.

Água, energia elétrica e papel são três relevantes fontes de gasto em uma instituição de ensino e, para cada uma destas, há uma sugestão de uso inteligente. O câmbio de dispositivos antigos por tecnologias como torneiras automáticas, lâmpadas de LED e equipamentos com o Selo Procel de economia, entre outros, além de um melhor aproveitamento da iluminação e ventilação natural já devem ser percebidos como um avanço na busca por tornar-se mais competitivo. 

Concomitante às ações supracitadas, estimula-se o desenvolvimento de projetos pedagógicos com estudantes e colaboradores para a conscientização do uso moderado de elementos disponíveis na natureza. Quanto ao papel, recomendam-se medidas como a realização de provas e atividades em ambientes virtuais e a utilização de materiais didáticos que estejam alinhados com a proposta pedagógica da escola e, consequentemente, pouco demandem produção de material complementar. 

Tratando-se de questões administrativas, percebe-se na revisão de rotinas um meio de “tornar a máquina mais leve e eficiente”. Se um corte na folha de pagamento dos docentes deve ser impensável, uma vez que a redução da qualidade do ensino não se põe em pauta, é provável que outros setores encolham quando percebido um nível alarmante de ociosidade. Mais que redesenhar cargos, estudar os processos administrativos tem como premissa identificar carências, preencher lacunas e tangibilizar ações. Outra estratégia é o melhor entendimento do público e a percepção de valor por parte dele, o que é de fato exercício de autoconhecimento e torna ainda mais assertiva a sua fidelização. Por fim, uma gestão com metas também a curto prazo e planejamento escrito a lápis torna-se quase uma obrigação em tempos intranquilos.

Se há verdade no provérbio que afirma que “mar calmo não faz bom marinheiro”, que aproveitemos as intempéries do presente para nos tornarmos melhores comandantes. E, então, que saibamos para onde ir.


Fonte: Revista EducarMais.