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22/06/16 17:13

EducarMais: Inteligência e emoções

A imposição de limites pelos pais e a superação de desafios são alguns dos principais elementos que contribuem para o desenvolvimento da inteligência da criança – ou mesmo do adolescente.

Nós, pais, queremos que nossos filhos sejam inteligentes e felizes. Sonhamos que sejam bem-sucedidos, que se casem com a melhor pessoa do mundo, e que essa relação permaneça. E não há nada de errado em sonhar com isso. Neste texto, seguem reflexões baseadas na Psicologia, Neurologia e na Educação, que podem ajudar você a ser um melhor pai ou uma melhor mãe no alcance desses objetivos.

Primeiramente, deve-se ter a ideia de que a inteligência pode ser desenvolvida. Antigamente se achava que cada criança já nascia com a inteligência “pronta”, e a escola apenas a encheria de conhecimentos. Essa é a razão de a Educação ter, durante muitos anos, dado ênfase à memorização, cópia e repetição exaustiva de conteúdos. Hoje, sabemos que o cérebro pode criar novas conexões cerebrais, as sinapses, dependendo da forma como se interage com o aprendiz. Isso significa que tanto os pais como os professores podem interagir com as crianças e os adolescentes e ajudá-los a serem ainda mais inteligentes. A mesma coisa acontece com a maturidade emocional: é possível interagir com eles objetivando tal maturidade. Seguem alguns questionamentos para refletirmos.

1 - A inteligência pode ser desenvolvida? Qual o principal “segredo”?
A Neurociência tem mostrado que a inteligência pode ser desenvolvida por meio de alguns fatores essenciais: estimulação adequada, conquista de desafios, resolução de problemas e superação de dificuldades. Segundo um dos maiores educadores do mundo, PhD em Psicologia do Desenvolvimento, o professor Reuven Feuerstein, a inteligência floresce se for adubada por desafios. Um ambiente apático a faz murchar. Assim, o grande segredo é desenvolver a autonomia das crianças por meio de desafios que elas possam conquistar (problemas difíceis), mas que possam resolvê-los, e dificuldades que possam superar. Com isso, o cérebro desenvolve novas conexões e fixa novos caminhos neurais para que os próximos desafios, problemas ou dificuldades sejam vencidos com menos energia e menos tempo. Dedução: a superproteção não dá isso às crianças, ou seja, limita-as.

2 - Existe uma idade propícia para desenvolvê-la? Por quê?
Quanto mais conexões cerebrais, mais inteligência. Esse não é o único fator, mas é o principal. Novas conexões ocorrem principalmente nos primeiros anos de vida e continuam a se formar até a velhice. Assim, o ideal é que as crianças passem pelas mais qualificadas escolas nas séries iniciais, pois é nesse período que o desenvolvimento do cérebro é maior. No entanto, não adianta ter uma Ferrari sendo dirigida por uma pessoa que não sabe nem trocar a marcha. É preciso saber como usar todo o potencial. É aí que vem a importância das escolas das séries seguintes.

Muitos pais, equivocadamente, colocam seus filhos em uma escola qualquer, sem qualidade, pensando que mais tarde os colégios de Ensino Médio farão a diferença. É exigir demais desse colégio. O ideal é que a criança estude nas melhores escolas desde sempre. Nesse caso, a preparação para o vestibular e para a vida será muito mais facilitada. A responsabilidade não pode ser apenas do “terceirão”. 

3 - O que falta aos pais de hoje para que contribuam com o desenvolvimento da inteligência dos filhos?
Falta aos pais conhecer as últimas descobertas da Neurociência e da Educação. Por isso é tão importante a parceria escola-família, pois a especialista em Educação é a escola, e os pais podem aprender muito sobre o desenvolvimento da inteligência de seus filhos. A escola pode propiciar momentos em que essa troca ocorra. Palestras e reuniões de pais são bons momentos para que haja uma troca saudável a respeito de informações sobre crianças e adolescentes. 

Uma das principais descobertas nesse campo é a de Feuerstein, que dizia que a interação pai-filho é uma das principais características potencializadoras do desenvolvimento da inteligência. Se essa interação for de qualidade e tiver alguns fatores muito particulares, será chamada de mediação. É a mediação o que mais contribui para o desenvolvimento de uma criança em todos os seus aspectos. Entretanto, é preciso saber como mediar.

4 - Na prática, o que precisamos levar em conta para desenvolver a inteligência de uma criança?
Basicamente, tudo aquilo que puder ser útil ao desenvolvimento da autonomia. A autonomia, que é misto de liberdade e responsabilidade, possibilita novas conexões cerebrais, e, portanto, mais capacidade para resolver problemas, criar, adaptar-se ou ser bem-sucedido em todas as áreas da vida. A autonomia e os fatores citados na resposta à primeira pergunta são o fundamento para criar situações que promovam o desenvolvimento da inteligência.

5 - E em relação às emoções, como ter filhos obedientes, que não fazem birra para obedecer? 
“Filho, desligue esse computador e vá dormir!”.  Está cada vez mais difícil colocar limites nas crianças. O prazer é o grande inimigo da obediência, pois as crianças não querem parar aquilo que lhes é prazeroso de forma imediata e resistem a obedecer quando a ordem é interromper o prazer ou adiá-lo. Portanto, os dois fatores psicológicos que devem ser construídos nas crianças desde muito cedo são:

a) Adiar a satisfação do prazer: em palavras mais simples, deixar o “bem bão” para depois. Crianças não devem ter seus desejos atendidos de imediato, pois elas acabam achando que os adultos devem servi-las. Assim, quando o adulto dá uma ordem que contraria os desejos da criança, ela fica em dúvida e acha que a ordem é injusta, pois difere do normal. Claro que não estou falando das necessidades básicas como fome, frio, calor ou segurança. Estou falando dos pedidos para que outros desejos sejam atendidos, mas que não precisam ser imediatamente. Quem aprende a deixar o prazer de lado, aprende a estudar, trabalhar, esforçar-se e fazer as tarefas da escola e de casa para só depois realizar o desejo de brincar ou fazer o que quer.

b) Resistência à frustração: em outras palavras, “aguentar a dor”. Uma criança que perde algum brinquedo, que não consegue aquilo que deseja ou que ouve um “não” como resposta tem a chance de amadurecer. Para isso, não deve receber outro brinquedo como substituição daquele que perdeu, nem ter substituído seu desejo nem compensado por terem negados seus pedidos. Então, o que fazer? Os pais devem apenas acolher a dor, o choro ou a tristeza. Devem dizer à criança que a compreendem e sabem que não é fácil passar pela dificuldade. Mas não devem compensar. Isso ajuda a criança a resistir aos “nãos” que a vida traz, incluindo os momentos em que as regras devem ser obedecidas.

Desenvolvendo esses dois fatores desde cedo, desde bebê (claro, adequando tudo), a criança vai aprendendo a obedecer. Se você pai ou mãe está percebendo que errou, não desista! Mesmo agora dá para começar a desenvolver os dois fatores. Dá mais trabalho, mas é possível.

Com adolescentes, os limites e as regras devem ser combinados, conversados, serem resultados de acordos. Adolescentes já têm condições de refletir sobre o que é bom e saudável para eles próprios, mas reconhecem que ainda não conseguem ter controle, por isso os pais devem ajudá-los com as regras e com a colocação de limites já anteriormente combinados com eles.

Esse é um “panorama geral”. Claro que há muitas outras questões a serem consideradas, mas a síntese de tudo isso é equilibrar carinho com autoridade, afeto com limites. E do equilíbrio nasce um ambiente propício ao desenvolvimento da inteligência e da maturidade emocional.


Fonte: Revista EducarMais.