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17/10/16 17:29

EducarMais: Inadimplência – qual é a responsabilidade do gestor?

As instituições escolares, como qualquer empresa, também estão sujeitas à inadimplência. Torna-se, portanto, necessário tomar medidas para evitá-la. 

Considerada como um dos mais ofensivos gargalos da gestão escolar, a inadimplência costuma ser vista como uma “praga” que irremediavelmente tende a assombrar os pensamentos do gestor financeiro. Em estudo realizado em 2015 pela Mind Group, uma comunidade internacional de cooperação em educação, diretores administrativos de instituições de 19 estados brasileiros definiram os índices de inadimplência como o principal desafio a ser enfrentado por uma escola particular no ano de 2016. O tema foi citado por 26% dos respondentes, enquanto 60% consideraram alto seu grau de preocupação com o inadimplemento.

Os níveis de inadimplência em uma economia são periodicamente monitorados por empresas como o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), por se tratarem de consequências de uma conjuntura macroeconômica. Se acompanharmos os números apresentados até o primeiro semestre de 2014, véspera do ciclo vicioso estabelecido, estudos do Serasa Experian continuavam a indicar um movimento de retração no inadimplemento em escolas, chegando a 10,7%. Resultado diferente pôde ser constatado no mesmo período do ano posterior, quando, já em meio a uma crise política e econômica, a falta de pagamento cresceu 25,9%. A mudança foi drástica. Todavia, mais importante que conhecer esses indicativos é, seguramente, compreender o que motivou tais mudanças.

Vale frisar que, para o bem de qualquer organização, seja ela do setor educacional ou não, deixar de receber o que se tem por direito trata-se de um enorme inconveniente e, dependendo dos níveis a que estejamos nos referindo, até de uma questão de sobrevivência. Mas qual a responsabilidade do gestor sobre a inadimplência em sua empresa?

Por mais que transferir a responsabilidade pelo inadimplemento para a crise pareça confortável, faz-se necessário ter serenidade para reconhecer a importância do papel do gestor nesse momento. Deixar-se levar pelo movimento de mercado significa abrir mão de planejar uma estratégia de atuação, além de abraçar a incerteza que pode ser trazida por tempos de bonança ou de tempestade. Dessa forma, para todos os efeitos, vale o dito popular que afirma: “é melhor prevenir do que remediar”.

Pensando em resguardar a saúde financeira da escola, é essencial conhecer o perfil daquele que pretende ser cliente. Por mais tentadora que seja a ideia de facilitar a campanha de matrículas de novos estudantes, é indispensável conhecer o histórico de pagamentos de seu responsável financeiro. Uma prévia consulta aos órgãos de proteção ao crédito já é suficiente para a criação de um parâmetro de análise. Então, o primeiro cuidado deve ser tomado ainda antes da matrícula.

Uma vez que a matrícula tenha sido concluída, as ações devem ser voltadas para incentivar que aquelas pessoas se sintam motivadas a efetuarem seus pagamentos em dia, o que pode ser feito por meio da oferta de prêmios ou de descontos para quem realiza o pagamento integral no ato da matrícula, elege o cartão de crédito como sua forma de pagamento e parcela sua anuidade ou simplesmente antecipa-se mensalmente à data estabelecida como limite para o pagamento da mensalidade.

Certificando-se de que imprevistos podem acontecer ao longo do ano, o seguro educacional apresenta-se como um curioso recurso que tem, aos poucos, despertado interesse e ganhado espaço nas escolas brasileiras. Com um valor simbólico que flutua entre 1% e 3% do cobrado na mensalidade, esse serviço resguarda o segurado de infortúnios, como desemprego, invalidez ou morte dos responsáveis.

Tão importante quanto cada uma das ações supracitadas é a comunicação desenvolvida com os responsáveis. É vital que a empresa saiba como chegar aos pais, utilizando veículos e linguagens adequados para esse público. A comunicação tem também por finalidade criar e fortalecer os laços entre família e escola. Afora as iniciativas que busquem prevenir o inadimplemento, revela-se imprescindível que, se possível for, seja realizado, por meio de um software específico, um rigoroso controle dos recebimentos e transações financeiras que envolvem o universo da escola.

Mesmo que tenha sido tomado cuidado para evitar o atraso no pagamento das mensalidades, o máximo que se pode esperar é que tais atitudes minimizem a falta de pagamento. Porém, ainda assim, faz-se necessário elaborar um procedimento padrão a ser trabalhado na busca pelo recebimento do que se tem por direito. O próximo passo tido como importante é a contratação de uma organização especializada em cobrança.

Não se apresentando o litígio como o caminho ideal, acreditamos fortemente que a chave para a resolução desse problema está na construção de uma relação sólida, respeitosa, pautada na confiança, e em uma comunicação clara e sem ruídos. A imagem que a família tem do colégio e de seus valores organizacionais tende a influenciar a priorização deste em relação ao pagamento de suas obrigações. Flexibilizar e buscar entender melhor a particularidade de cada família é fundamental na busca pelas menores taxas de inadimplemento. 


Fonte: Revista EducarMais.