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02/08/17 11:49

EducarMais: Emoções – o que fazer com elas?

Cada cérebro trabalha de uma forma, e são essas singularidades que definem o estilo emocional de cada pessoa.

A neurociência afetiva, que é o estudo dos mecanismos neurais da emoção, tem buscado responder o que está por trás das nossas emoções para promover uma qualidade de vida que nos proporcione uma situação de bem-estar e uma melhor atividade mental. É um campo que vem ganhando espaço em meio aos estudos de um órgão extremamente perfeito, completo e complexo: o cérebro. 

Investigar, ter curiosidade, ler e buscar informações sobre o seu funcionamento tornou-se algo importante de ser compreendido no cenário escolar. Além de desenvolver as funções executivas e cognitivas, o cérebro promove o processamento das emoções humanas, algo que, quando bem compreendido e direcionado de forma equilibrada durante o ato de aprender, torna-se decisivo e fundamental na boa gestão da aprendizagem, das emoções envolvidas nesse processo e da sala de aula. 

Entender melhor a forma como cada aprendiz constrói seu conhecimento e as nuances do seu estilo emocional, relacionando-os aos marcos do desenvolvimento humano, torna a aprendizagem do sujeito mais particularizada, destoando dos processos que envolvem a massificação da transmissão do conhecimento e da relação ensino-aprendizagem. 

A jornada científica da neurociência afetiva avançou em descobertas relativas à organização cerebral relacionada à empatia, às diferenças entre um cérebro autista e o cérebro que responde dentro de um padrão esperado, à explicação sobre o mergulho no abismo emocional da depressão, entre outras situações. Todas essas descobertas trazem à tona a importância de estarmos atentos para que possamos avançar cada vez mais na existência humana, no autoconhecimento, considerando, assim, de forma mais profunda a característica essencial que nos faz ser humanos, que é ter uma vida emocional.

Richard J. Davidson e Sharon Begley, pesquisadores da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, há mais de 30 anos estudam sobre a neurociência afetiva e mostram que cada pessoa possui um determinado estilo emocional diante das experiências que vivencia. Os pesquisadores trazem também que esse estilo emocional é dirigido por circuitos cerebrais específicos, diferentemente de características de personalidade, que se enquadram em um conceito que nos ajuda a descrever as pessoas e que não estão baseadas de forma rigorosa nos mecanismos neurológicos mais delimitados do cérebro humano. Essa pesquisa acredita que tudo que esteja relacionado ao comportamento humano, ao que sentimos e a todas as formas de pensar surge primeiramente no cérebro, o responsável por toda resposta humana.

Ao considerar o estilo emocional como uma gama de reações e estratégias que o cérebro faz uso e que diferem do tipo, da intensidade e da duração, seis dimensões surgem como algo balizador do comportamento e correspondem às propriedades do órgão e ao seu modo de funcionamento, que, quando bem compreendidos, ajudam a pessoa a entender qual estilo emocional a potencializa e a qual a limita, para assim melhor utilizar esse conhecimento e ir em busca de mudanças com maior e melhor direcionamento. 

Essas dimensões são:
Resiliência:  mensura o quão rápido ou não nos reconstruímos após uma adversidade;
Atitude: relaciona-se ao tempo/durabilidade que conseguimos sustentar as emoções positivas;
Intuição social: está ligada ao fato de fazermos uma leitura equilibrada do cenário e dos sinais sociais transmitidos pelas pessoas e pelo que acontece ao redor;
Autopercepção: relaciona-se à capacidade de entender, sentir e perceber as sensações/sentimentos que o corpo transmite;
Sensibilidade ao contexto: permite regular nossas respostas emocionais e nossos comportamentos para que correspondam ao contexto social;
Atenção: situa-se em relação à clareza do nível de concentração que possuímos.

Ao fazermos essa identificação pessoal e desenvolvermos o exercício da compreensão que envolve sentimentos empáticos junto aos aprendizes na escala das dimensões do estilo emocional, passamos a ter outra visão que corresponde à nossa forma de atuação com eles e com o mundo. A partir disso, estou apto a decidir pela mudança. 

O primeiro passo para essa mudança é entender e ter familiaridade com o meu estilo emocional e agir em busca do que desejo e sonho, acreditando na máxima que diz que, quando me potencializo, tenho condições de potencializar o outro, tornando-me assim a mudança que desejo para o mundo. 


Fonte: Revista EducarMais.