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20/05/16 16:02

EducarMais: Depois da tempestade

As crises que assolam o país não podem ser motivo para deixarmos de promover uma Educação de Excelência.

Iniciamos o ano de 2016 com a confirmação do agravamento de uma crise econômica que teve início em anos anteriores. Sob diversos indicadores, o quadro é catastrófico. Muitos dizem que chegamos ao fundo do poço, outros asseguram que “o buraco é mais embaixo”.
 
Para efeito de esclarecimento, convém analisar o cenário econômico brasileiro a partir de alguns indicadores, os quais apresentam um panorama bastante desfavorável e que, segundo alguns, deve se agravar ainda mais no decorrer do ano. Vejamos:
 
Cenário Econômico Brasileiro
Segundo pesquisa divulgada pelo Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE), a inflação oficial de 2015 ficou em 10,67%.
O IBGE também divulgou que a taxa de desemprego no ano passado chegou a 8,9% e que o tempo médio de recolocação no mercado de trabalho é de 10 meses.
De acordo com pesquisa realizada pelo Fundo  Monetário Internacional(FMI), o PIB brasileiro ainda deve sofrer refração de 3,5% este ano.
A inadimplência nas escolas particulares aumentou 27,2% nos primeiros meses de 2015 em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Serasa Experian.
A Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep) estima que possa haver até 12% de migração de alunos das escolas particulares para escolas públicas em 2016.
 
Além da questão econômica, destaca-se também uma grave crise política. A credibilidade de nossos homens públicos está muito abalada. A impressão é a de que nada mais pode nos surpreender. Os telejornais se assemelham a filmes de terror, pois mostram, a cada dia, um novo escândalo, uma nova tragédia, um novo drama. E tudo recheado de certo terrorismo.
 
O cenário econômico é muito ruim, o político é péssimo, e, enquanto isso, a turma do “quanto pior, melhor” comemora. Os embates entre oposição e situação se agravam. Já não sabemos em quem acreditar. 
 
No meio desse contexto, o cenário educacional não poderia estar diferente. Não quero ser profeta da desgraça, arauto do apocalipse, mas a verdade é que os indicadores a seguir não mentem.
 
Cenário Educacional Brasileiro
Na última edição do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), o Brasil ficou em 58o colocado, em um ranking de 65 países.  
Segundo o MEC, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) ficou entre 3,7 e 5,2, englobando todos os ciclos de ensino nas redes pública e privada.
Estudos realizados pelo Instituto Ayrton Senna revelam que de cada 20 crianças que iniciam o Ensino Fundamental no Brasil, apenas 10 terminarão o Ensino Médio. Destas 10, somente 2 sabem Português e 1 sabe Matemática.
A ONG Todos Pela Educação divulgou pesquisa revelando que apenas 54% dos jovens concluem o Ensino Médio na idade certa.
Segundo a Organização para Cooperação e o Desenvolvimento (OCDE), o percentual da população entre 25 e 34 anos que atingiu o nível universitário no ano de 2013 no país foi de apenas 12,74%.
Dados do INEP apontam que, dos estudantes que cursaram o Ensino Médio, 12,1% reprovaram e 7,6% abandonaram a escola.
Balanço divulgado pelo MEC demonstra que a média dos alunos no ENEM 2015 caiu em Matemática, Ciências da Natureza e Linguagens e Códigos em relação ao ENEM 2014.  
Segundo esse mesmo balanço, 53 mil estudantes tiraram zero na redação do ENEM em 2015.
 
Convém lembrar que, na área de Gestão Empresarial, o estudo de um cenário favorece a organização, o planejamento e a avaliação das decisões a tomar. Essa prática amplia a perspectiva e a visão empresarial. É preciso repetir tal exercício muitas vezes e, assim, desenvolver mais ainda a habilidade de “encontrar a luz no fim do túnel”. Também é preciso fé e coragem.
 
Gosto muito da história sobre dois vendedores que foram prospectar o mercado de chinelos na Índia. Observando o mesmo cenário, ambos chegaram a diferentes conclusões: um retornou dizendo que lá é impossível vender chinelos, uma vez que ninguém os usa; o outro voltou convicto de que lá é possível vender muitos chinelos, uma vez que ninguém os usa. Com qual dos dois você se parece?
 
Qual será o futuro das escolas particulares no Brasil diante dos cenários que se descortinam? Peter Druker, considerado pai da Administração Moderna, diz que “a melhor maneira de prever o futuro é criá-lo”.  Para criar um novo futuro, além de fé e coragem, é preciso ter a certeza de que: a crise vai passar. A competição vai aumentar. Precisamos nos preparar. É hora de investir!
 
O quadro anterior é um slide de uma palestra do Diretor Geral do SAS, Ari de Sá Neto, que foi apresentada no Congresso de Educação SAS, realizado no dia 11 de janeiro deste ano. Tal quadro reflete nosso sentimento e, em mim, causa profunda inspiração. Como Lulu Santos diz: “Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia”.  As crises passam. 
 
Quem lembra do governo de José Sarney (1985-1990), quando a inflação chegou a 235% ao ano? Disseram-me, na época, que todas as escolas particulares iriam fechar. Quem lembra da Era Collor de Melo (1990-1992), quando a ministra Zélia Cardoso confiscou a poupança de todos os brasileiros?  Disseram-me novamente que todas as escolas particulares iriam fechar. Após muitas crises e 30 anos de labuta na seara da educação privada, continuo ouvindo que todas as escolas particulares irão fechar. 
 
Chama-me atenção que, apesar das crises, alguns empreendedores continuam investindo em educação de excelência, recuperando o valor das mensalidades, conquistando ótimos resultados pedagógicos e promovendo o crescimento sustentável de suas instituições. Essas escolas vão crescer e prosperar mais ainda; enquanto isso, outras tantas escolas fecharão suas portas alegando a crise.
 
“Nada é permanente, exceto a mudança.” (Heráclito de Éfeso – 535-475 a.C.). 
 
Em meio à crise, é preciso quebrar paradigmas e criar novos caminhos. Temos, cada vez mais, que nos cercar de gente mais competente que nós mesmos, todos capazes de ver as oportunidades escondidas por trás de cada crise.
 
No livro Fora de Série – Outliers, o autor Malcolm Gladwell diz: “O sucesso é uma rara combinação entre talento e preparação”. Gladwell também afirma que “para se alcançar o nível de excelência em qualquer atividade, são necessárias nada menos do que 10 mil horas de prática – o equivalente a 3 horas por dia (ou 20 horas por semana) de treinamento durante 10 anos”. Portanto, ninguém nasce um bom gestor. Para tornar-se um, é preciso competência, determinação, persistência, fé, coragem, maturidade, capacidade de analisar os piores cenários e de encontrar as melhores oportunidades. 
 
Ou seja, educar não é tarefa para amadores. É preciso cercar-se de gente competente, gente engajada, gente que faça educação de excelência, gente entusiasmada, gente com foco, força e fé, gente que não se deixe abater por cenários desfavoráveis. É preciso “muitas gentes” preparadas para enfrentar as piores tormentas. Porque todos nós sabemos que, após a tempestade, sempre vem a calmaria.
 
Bom trabalho!


Fonte: Revista EducarMais.