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08/07/16 16:04

EducarMais: Aprendizagem e Tecnologia – desenvolvimento de competências e habilidades na Era Digital

O Ensino Híbrido configura-se hoje como uma possibilidade de associação saudável entre Educação e tecnologia.

A crescente utilização da tecnologia em diversos segmentos da sociedade – como comércio, serviços, processos de produção e comunicação – é uma realidade que impacta e transforma a vida das pessoas em todo o mundo. Segundo dados divulgados em 2015 pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Brasil conta atualmente com cerca de 306 milhões de dispositivos conectados à internet, sendo 154 milhões de smartphones, 128 milhões de computadores e 24 milhões de tablets. Em recente pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), constatou-se que 48% da população brasileira possui acesso à internet em casa e 54% de toda a navegação foi realizada por meio de smartphones.

O foco das atividades que, anteriormente, estava no processo em si, está agora nos usuários, oferecendo muito mais personalização e autonomia, por meio do uso de diversos recursos tecnológicos. As mudanças ocorridas na Educação, no aspecto tecnológico, não foram suficientemente profundas a ponto de revolucionar as práticas e as políticas educacionais. A aprendizagem do aluno ainda está, em grande parte, centrada na sala de aula, e a responsabilidade ainda é, em muitos contextos, vista como sendo somente do professor. 

Há um desafio enorme na compreensão, por parte dos professores, gestores e pais sobre o papel da tecnologia na educação, que não é, necessariamente, o de substituir ou reproduzir modelos arcaicos, mas o de agregar valor à metodologia desenvolvida pela escola. O uso da tecnologia pode colaborar ao engajar o aluno no processo de aprendizagem, conectando-o ao conhecimento e às pessoas e promovendo o compartilhamento de ideias, informações, imagens etc. A tecnologia cria a possibilidade de uma educação mais participativa e democrática, a partir do reconhecimento de que todos e, não apenas os professores, são responsáveis pela construção e transmissão do conhecimento.

Existe uma tendência atual de escolas usarem a tecnologia para acompanhar o desempenho dos estudantes e das turmas de forma mais individualizada. Algumas aplicações permitem ao aluno promover o autoestudo por meio do conceito de aula invertida, por exemplo. Plataformas adaptativas oferecem ao aluno atividades e conteúdos sob medida, a partir de suas respostas e reações às tarefas. Ou seja, a tecnologia acaba promovendo mudanças de estratégias porque também muda as relações entre os membros da comunidade escolar, criando ambientes mais colaborativos e integradores.

Desde o ano 2000, tem-se discutido bastante sobre uma abordagem pedagógica chamada Ensino Híbrido, que propõe a combinação de atividades presenciais e de atividades realizadas por meio das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs). Existem diferentes propostas de como combinar essas atividades, porém, na essência, a estratégia consiste em colocar o foco do processo de aprendizagem no aluno e não mais na transmissão de informação que o professor tradicionalmente realiza. 

O aluno estuda o material em diferentes situações e ambientes, além da sala de aula, como videoaulas, plataformas adaptativas, portais na internet, livros digitais, jogos educacionais etc. O aluno é instigado a assumir uma maior responsabilidade pela aprendizagem, resolvendo problemas, desenvolvendo projetos e, com isso, criando oportunidades para a construção de seu conhecimento. O professor, além de ser o facilitador do processo, tem a função de mediador, consultor do aprendiz. No entanto, a exemplo de outras iniciativas inovadoras, o Ensino Híbrido tem recebido críticas negativas relacionadas à dependência da tecnologia – vista por alguns como excessiva –, ao acesso desigual a ela por parte dos alunos e ao risco de desvalorizar ainda mais o papel do professor.

O fato é que inúmeras mudanças vão acontecer e a resistência às tecnologias na educação, necessariamente, vai diminuir, pois existem forças sociais e conjunturais atuando intensamente para que o mundo siga nessa direção. A tecnologia está modificando a configuração da economia, do mercado de trabalho, da sociedade, e, nesse aspecto, as escolas precisam cumprir a missão de formar cidadãos e profissionais aptos e competentes para enfrentar os desafios inerentes a essa nova Era Digital. O melhor caminho é o da mudança grande, processual e lenta, da forma mais adequada ao contexto de cada comunidade escolar, e não o da mudança rápida e sem fundamentação. 

O grande desafio posto para as escolas é tentar formar pessoas para o mundo real, tal como ele será daqui a 5 ou 20 anos. O educador colombiano Bernardo Toro ilumina nosso caminho quando sugere uma reflexão do nosso fazer, com base nos Códigos da Modernidade e as 7 competências mínimas para a participação produtiva e a inserção social do ser humano no século XXI. Nessa perspectiva, aliar tecnologia à aprendizagem envolve muito mais do que apenas incorporar os equipamentos (computadores, tablets, lousas digitais) na prática didática para ampliar o acesso à informação ou para tornar as aulas mais agradáveis. Precisamos refletir: como o mundo está lidando com a tecnologia? Como preparar os nossos estudantes para essa realidade? A tecnologia faz a diferença quando está em sintonia com a metodologia pedagógica da escola, com a cultura local, os valores locais, e quando está atenta às necessidades e expectativas de seus usuários. 

Considerando tudo isso, e sem desprestigiar a importância da tecnologia, é necessário ressaltar que, em qualquer organização educacional, as pessoas fazem a maior e mais fundamental diferença. A tecnologia é um canal para transformação, mas que, sozinha, não faz nada. Para gerar inovação, a escola precisa estar aberta à experimentação, arriscar-se com responsabilidade para identificar o que melhor funciona para o seu público. A tecnologia nos mostra que o mundo é um maravilhoso ambiente de aprendizagem e em constante mudança, que o aluno, cada vez mais, tem acesso às informações e que o professor é um mediador de conhecimentos reais.


Fonte: Revista EducarMais.