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30/06/17 11:21

EducarMais: A arte de viver por meio da experimentação

Projeto “Crianças sagradas” transforma crianças em modelos de obras de arte, permitindo a inserção dos pequenos em um mundo imagético.

O desejo de proporcionar uma nova experiência artística para as crianças do Núcleo de Educação Infantil do Colégio Camilo Toscano, em Currais Novos, no Rio Grande do Norte, levou ao desenvolvimento de um projeto que integrasse essas crianças à própria obra, fazendo-as sentir-se parte dela e, a partir daí, construir sua própria interpretação. A proposta é de experimentação, em que a criança interioriza as emoções das personagens retratadas.

Foram apresentadas obras de Caravaggio, Simon Vouet, Peter Paul Rubens, Michelangelo, Leonardo da Vinci e de outros artistas. Essas imagens, analisadas e estudadas por elas, ganharam vida e retornaram como fotografias representando cada quadro, em que os protagonistas seriam as próprias crianças. Um trabalho que se tornou possível unindo as técnicas da pintura clássica à modernidade das artes gráficas. 

Assim, “Crianças sagradas” traz à luz questões sob a concepção das crianças a partir da interpretação de alegorias que ilustram as obras de grandes mestres do cenário mundial, levando-as, não só a adentrarem no universo de cada quadro e artista, mas de experimentarem e reproduzirem tais sensações apresentadas nas obras.

Essa transmutação dá a oportunidade a atores e espectadores de refletirem e exteriorizarem seus sentimentos devido à subjetivação desencadeada pelo experimento artístico. A importância está no processo, e a relevância não consiste na apreensão de conceitos artísticos, mas no aprendizado que se dá durante a experiência: experimentar para construir significados.

A criança enxerga e constrói sua interpretação livre de conceitos. Em seu universo imaginativo, ela enxerga melhor o artista porque lê sua essência em seu trabalho com um olhar puro e despretensioso. Sua imaginação a leva a adentrar no universo da obra, que é a própria essência do artista. Ela a traduz de forma espontânea, livre, aproximando-a da verdade estética presente na arte, que são as emoções provocadas pelas sensações. A subjetivação da arte a partir da livre interpretação e sua reprodução mediante a experimentação são passos muito importantes para o desenvolvimento da consciência artística nos pequenos. 

A imagética apresentada e proposta a cada grupo, de acordo com a sua realidade cognitiva e seu interesse, contribuiu significativamente para o desenvolvimento do projeto. Nele, a própria criança escolheu a figura a ser representada e construiu a sua personagem, partindo da análise das figuras humanas, do seu contexto, da história e dos cenários expostos nas pinturas. 

Essa ideia de atuar como protagonista faz com que cada um se envolva e se entregue à proposta, facilitando a interpretação e a subjetivação das emoções, que se exteriorizam em cada expressão apresentada nas telas. 

Um cenário fotográfico fictício foi montado para instigar a imaginação, fazendo cada criança criar situações que remetiam à análise estética e pessoal realizada da pintura estudada. Figurinos improvisados com pedaços de tecidos, pincéis que se transformam em espadas, cabides que se imaginam coroas e resplendores, cortinas que se transformam em indumentária clássica. Uma grande brincadeira de imaginar materializada nas fotografias, posteriormente transformadas em pintura.

Para garantir um bom resultado, foi imprescindível despertar o interesse nos alunos, envolvê-los, gerar expectativas, mostrar possibilidades, respeitá-los sem subestimar a sua capacidade interpretativa e imaginativa, criar códigos de parceria e cumprir com as regras do desenvolvimento. Assim, “Crianças sagradas” consegue ultrapassar os muros da própria escola e tomar uma direção inesperada, transformando-se em uma exposição pública itinerante que enche os olhos e os corações de quem a contempla.


Fonte: Revista EducarMais.